Porque nos sentimos a afundar.

Normalmente as sensações provocadas por um estado de tristeza profundo, ou um estado mais depressivo são, entre outras, uma sensação de vazio, falta de direção, falta de alegria, vida sem sentido, isolamento, descrença total sobre a possibilidade de uma solução e também descrença sobre as pessoas e vida de uma forma geral.

Uma sensação de profunda impotência, e que nos faz sentir que estamos a afundar e que a possibilidade de voltarmos a ser felizes realizados se torna algo distante e fora do alcançe.

O sentimento de que nos estamos a afundar cada vez mais, e que há uma total perda de controle nós mesmos, sobre a vida, não acreditando em qualquer outra possibilidade que não seja desistir de acreditar na vida, nas pessoas, de nós e de “viver” e passamos apenas a existir. Entregamo-nos então a uma morte lenta, deixar de ter sonhos, deixar de conviver, deixar de sorrir, deixar de sair de casa, simplesmente deixar de acreditar que a viva é antes de mais termo-nos a nós ligados ao divino, aconteça o que acontecer.

Por não ser possivel, de imediato, controlar os resultados que esperados, nem ver uma saída “concreta” e objetiva para a situação, a tendência é desistirmos e acharmos que não temos valor e que não merecemos estar bem.

Na realidade é mesmo isso, é um afundamento, que nos pede uma morte….uma morte interna, sobre as nossas crenças e verdades sobre o sentido da vida. Uma morte e desapego da crença que apenas conseguimos ser felizes dependendo de fatores externos a nós e que sem eles não existimos mais.

Metáfora.

“O Iate da felicidade”

Vamos imaginar que, antes da depressão, a felicidade da nossa vida era proveniente de um IATE maravilhoso. Um barco que nos permitiu vivenciar acontecimentos maravilhosos, como se para nós esse Iate fosse a fonte de todo o entusiasmo.

Por considerarmos que a felicidade estava em tudo o que esse iate nos proporcionava a dedicação da nossa vida passou a estar direccionada para esse pequeno grande “criador de sonhos”. Até que um dia, a natureza se enfureceu e um grande temporal ameaçou esse iate.

Como atribuíamos o nosso senso de valor, entusiasmo, felicidade a esse iate achámos que perder o iate seria perder a vida, o sol interior. E em vez de nos tentarmos salvar, lançando o salva-vidas e libertarmo-nos o mais rapidamente possível do que poderia ser fatal para a nossa vida, agarramo-nos descontroladamente a memórias do passado vividas nesse mesmo Iate, e ao sentimento de apego a algo material (pessoas ou vivências) como se fosse a nossa alma.

E claro, enquanto estivermos agarrados ao Iate em afundamento iremos afundar-nos com ele…até ao dia que decidirmos libertar o Iate. Assim que largamos o iate, começamos a emergir das profundezas desse afundamento.

Nesse dia vamos entender que nada exterior a nós terá qualquer poder de nos afundar se nós tivermos a sabedoria do desapego, da libertação do que já não nos serve de alimento à alma…e assim confiar no processo da vida….se a vida tira algo que gostamos, ou nos dá algo que não gostamos, alguma aprendizagem ou sentido importante ela quererá nos transmitir.

Nunca nos devemos esquecer que quanto mais rígidos formos mais forte sentimos as pancadas da vida, se formos flexíveis como a água tudo passará por nós e ficará apenas a sabedoria.

Por vezes não é fácil perceber o sentido das coisas que nos acontecem, nessas alturas temos de confiar na vida e numa força divina que nos ajude a acreditar  num sentido maior para tudo o que nos acontece.

A vida não nos dá o que queremos e acreditamos ser imprescindivel, mas sim o que precisameos para nos tornarmos seres mais puros, genuínos e para aprendermos a buscar dentro de nós a nossa verdadeira essência Divina.

A diferença entre o sábio e o coitadinho é que o sábio usa tudo na vida para se fortalecer e para dar um novo sentido à vida…equanto que o coitadinho passa o tempo a culpar por tudo o que lhe acontece na vida.

O primeiro passo para a reabilitação é a aceitação do “estado em que se está”.

Texto original de Cristina Jorge para o site www.tratamentodadepressao.org

“Reprodução permitida desde que citada autoria e fonte com hiperligação (link)”

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