Alimentar o fogo interior.

A nossa vitalidade, força interior, entusiasmo e motivação dependem da forma como vivemos a nossa vida. As escolhas que fazemos sobre a forma como investimos o nosso tempo é que nos vão transmitir o orgulho ou a frustração que sentimos de nós. O fogo interior nasce da apreciação que temos de nós, da pessoa que somos, das escolhas que tomamos,  as actividades que escolhemos fazer e sobretudo as pessoas que decidimos que façam parte da nossa vida e as quais partilhamos o nosso coração. Pessoas que fazem arte, que ajudam o próximo e a si mesmos são sem dúvida pessoas mais preenchidas e mais realizadas porque sentem que estão a concretizar, algo belo, ou algo útil e acrescentam todos os dias algo de novo, diferente e positivo em suas vidas.

Estar num trabalho só para ganhar dinheiro, conviver com pessoas só porque tem um rotulo de amigos, maridos, esposas, etc. e fazer actividades só para passar o tempo, todas estas formas de viver o tempo são pólvora para alimentar uma depressão.

Gastar tempo ou investir tempo?

Para que nunca tenhamos medo de envelhecer, a decisão de gastar o tempo de uma forma preciosa é fundamental. Quem tem vergonha da sua idade é porque em vez de investir tempo, gastou tempo. E qual a diferença entre investir tempo e gastar tempo…investimos tempo quando sentimos a alma cheia, quer nas actividades que fazemos, quer com as pessoas com quem convivemos. Gastamos tempo quando sentimos que a nossa vida é vazia, fazer algo só para que o tempo passe, algo que não acrescenta nada de novo e positivo à nossa vida, inconscientemente a nossa mente sente-se culpada por pela vida vazia e fútil que escolhemos para nós.

Para fazermos boas escolhas para a forma como investimos tempo, é importante que começemos a observar com atenção as sensações que nos transmitem as pessoas e actividades que escolhemos fazer. Se uma pessoa nos deixa, cansada, triste, esgotada e não nos faz sentir especial então que tipo de amizade é essa??? Uma actividade que serve apenas para passar tempo não tem mal nenhum, no entanto se a nossa vida girar em torno desses vazios e futilidades vamos alimentar a alma onde???

A nossa vida é o resultado das nossas escolhas.

A nossa vida é o resultado das nossas opções e escolhas, o meu futuro é o resultado das decisões que tomo agora….se eu agora decidir fazer algo grandioso e com essência, o meu futuro estará a mudar desde já.

Muitas pessoas não saem da inercia porque acham que se não tiverem quem as incentivem e quem faça as coisas com elas que nada podem fazer. Colocaram a vida e a felicidade delas na mão dos outros. Pois claro, esperar que alguém convide, sugira ou decida pela nossa vida é o mesmo que adiar a nossa felicidade para NUNCA. Também já tive esse dilema na minha vida e claro…a minha vida era uma pasmaceira, nunca fazia nada porque tinha de estar À mercê dos gostos e vontades dos outros…até que decidi que a minha felicidade nunca mais ia depender dos outros, faço escolhas do que quero e gosto e depois faço, quem quer vem quem não quer fica sempre cheio de pena de não ter feito e tornado a sua vida mais leve, fresca, divertida, dinâmica.

Escolhas que alimentam a alma.

Há milhares de coisas giras para fazer e é um engano achar que viver sonhos é preciso gastar dinheiro. Caminhar na areia com os pés descalços alimenta a alma, passear à beira de um riacho, é gratuito e faz-nos sentir grandiosos. Há coisas giras e divertidas que nos fazem renascer…

Cada pessoa deve despertar a sua criatividade, e perguntar-se do que gosta e simplesmente fazer, sem esperar que alguém também queira…

A arte é uma cura para a alma.

Outras actividades fundamentais, para ajudarem a pessoa a gerar fogo interno é sentir-se útil, ou fazer voluntariado ou tirar workshops de artesanato, joalharia, pintura, cerâmica, artes decorativas, algo que as faça sentirem-se especiais.

Uma pessoa com depressão, é uma pessoa que perdeu a vontade de sonhar, de acreditar, de sentir magia, e as actividades criativas vão de novo activar essa parte neurológica que é a parte que nos trás fogo interior…entusiasmo. Se eu não tiver sonhos, metas, etapas, objectivos vivo para quê? A maior parte das pessoas depressivas perderam a força porque acreditavam nos objectivos que tinham e a vida ou tirou ou mostrou que esses já não servem e a pessoa perdeu o chão. Ter objectivos, mesmo que pareçam bizarros, não faz mal….sonhar é gratuito e não custa nada.

Pequeno testemunho…

Eu sou uma pessoa extremamente observadora e facilmente detecto na fisionomia das pessoas o que lhes vai na alma, este foi um treino que me fascinava desde criança, para entender o ser humano, observava infinitamente para perceber as expressões, movimentos, os olhos etc. Há cerca de um ano e meio, olhei para o meu pai e verifiquei que ele estava como uma lâmpada apagada, sem brilho e de dia para dia parecia perder a vitalidade. Então, como eu sei que a nossa vitalidade está no entusiasmo e na motivação da cocretização de objectivos que preenchem o coração e a alma, dei voltas e voltas ao meu “neurónio” a pensar no que é que seria uma ideia genial para lhe dar e para lhe criar esse tal fogo interior e entusiasmo na realização de objectivos. Tanto pensei que me surgiram umas ideias iniciais que seria boas para curar o fisico mas nao traziam a vida à sua alma. Até que me lembrei da universidade sénior…fui à internet buscar a morada e perguntei-lhe o que ele achava…bem, pareceu um milagre energético desde então…o meu pai, criou no fim de tantos anos de sua vida, agora com 70 anos, objectivos preenchedores como nunca teve. Nem se imagina o orgulho dele em dizer “Estou na universidade”….espectacular o brilho no seu olhar, e a motivação. Pequenas grandes coisas que partem da nossa força interior e que mudam e aumentam a vitalidade e dão um novo alento e sentido à vida.

Texto original de Cristina Jorge para o site www.tratamentodadepressao.org

“Reprodução permitida desde que citada autoria e fonte com hiperligação (link)”

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