A cada dia que passa se nota mais e mais o aparecimento de pessoas que manifestam fortes desequilíbrios emocionais. Este tipo de desequilíbrios fazem sobressair a existência de uma extrema baixa auto-estima e falta de motivação pessoal na forma como vivem os seus relacionamentos e a sua vida de um modo geral. A cura interior, passa por uma cura emocional e resulta de uma auto-consciencialização de quais as vivências “negativas” do passado que condicionam a pessoa a uma vida plena de paz, amor, alegria e realização.

Para que seja possível a cura interior e cura emocional é muito importante haver uma clara noção sobre o que significa a inteligência emocional, para que haja uma aprendizagem profunda e um auto-reconhecimento sobre as emoções e suas causas para que seja possível uma cura interior e libertação emocional.

Libertação de padrões recorrentes com origem em vivências dolorosas ajudam a cura interior e a cura emocional

Esta cura interior e respectiva cura emocional, passa pela libertação de padrões negativos recorrentes que se manifestam de formas inesperadas que limitam muito a vida da pessoa. Estes bloqueios são activados por situações, palavras, comportamentos que funcionam como “gatilhos”/”interruptores”  que despertam vivências passadas muito dolorosas que podem “paralisar” a pessoa através de medos e fobias. Esta cura interior terá consequências positivas na vida da pessoa e resultará em mudanças muito significativas na auto-motivação e auto-estima.

Para que seja possível iniciar uma cura interior e uma cura emocional, é necessário que saibamos identificar os mecanismos do subconsciente que activam os padrões negativos. A seguir apresentamos algumas das feridas emocionais, para que possa haver uma identificação através da auto-observação. Só com a consciência destes bloqueios e mecanismos do subconsciente é possível proceder à cura interior e à cura emocional.

Identificar as feridas emocionais para ajudar a cura interior e a cura emocional

A primeira coisa que precisamos fazer é identificar o problema, e entender a enorme necessidade de cura interior. Abaixo está uma lista comum de sintomas comuns a procurar em alguém que tem uma ferida emocional:

  • Crueza interna – muitas vezes há uma sensação de crueza interior e dor que parece persistir e difícil de libertar.
  • Irritabilidade – facilidade em irritar-se excessivamente com os outros, mesmo que a situação não justifique.
  • Pouca ou nenhuma tolerância – Ter pouca ou nenhuma tolerância com os outros.
  • Sentimentos negativos – Sentimentos de raiva, ódio, ressentimento, etc parecem “emergir” facilmente e às vezes sem motivo aparente.
  • Excessivamente sensível a algum acontecimento do passado –  Se houver situações no passado que levam a pessoa a tornar-se muito sensível ou irritada, ou mesmo levá-lo exaltar-se, então é provável revele uma profunda ferida emocional ligada com essa situação ou a memória .
  • Dificuldade em perdoar – A dificuldade de perdoar impossibilita uma pessoa de amar. Uma pessoa que tenha dificuldade em se perdoar a si e aos outros é uma pessoa estagnada, não se permite libertar dos pesos da vida e assume nas suas costas pesos de atitudes que não são suas. Perdoar os outros não significa compactuar com a sua ignorância, mas sim permitirmo-nos libertar da responsabilidade dos erros que os outros cometem.
  • Dificuldade em se permitir e se sentir amada/o – A incapacidade de confiar nos outros cria mecanismos de auto-defesa dificilmente intransponíveis. Mesmo que a pessoa tenha em torno de si muitas pessoas que a amam , mas a pessoa não acredita que as pessoas possam gostar dela. Torna-se extremamente difícil de se sentir plenamente e receber amor. Parece haver uma parede até que bloqueia o fluxo do amor na sua vida.
  • Agressões físicas – Pessoas com feridas emocionais muito profundas, quando se sentem ameaçadas explodem, tornam-se agressivas e susceptíveis de atacar os outros e ter súbitas explosões de raiva, ódio, ressentimento, etc.
  • Revolta com Deus – Uma pessoa que tenha sofrido choques emocionais profundos, por perda, por doença ou outra situação dolorosa incompreendida no momento, pode revoltar-se e culpar Deus pelos dramas e dificuldades que vivência. Na maioria das vezes, com o tempo, a pessoa vem a compreender que os acontecimentos foram agentes poderosos de transformação e que a sua vida enriqueceu muito com a aprendizagem através da dor, e que a aprendizagem tornou a sua vida com muito mais sentido e com maior qualidade nos relacionamentos e vida em geral porque aprendeu a distinguir o essencial do superfluo.
  • Ódio – Muitas vezes, a incompreensão e falta de entendimento o verdadeiro sentido da vida, acontece as pessoas ficarem extremamente feridas e amarguradas devido às vivências dramas do passado. Os abusos não são compreendidos nem fáceis de aceitar. É verdade, não podemos mudar o passado, mas podemos mudar a nossa visão sobre o que nos aconteceu e libertar-nos do peso do que não controlamos no passado. Perdoar não é compactuar, mas aceitar a nossa libertação e desresponsabilização pela profunda ignorância de outros seres humanos. Para quem acredita, a justiça divina não falha, por isso podemos confiar e aceitar libertar esse peso doloroso do passado e acreditar que merecemos o melhor da vida.
  • Frustração – Esta turbulência interna resulta de uma inadequação e desenquadramento da forma vivenciamos a vida. A frustração cria uma profunda ferida interior, porque a pessoa passa a vida a lutar contra a corrente e sem obter os resultados que acha que deveria ter. Muitas vezes a aceitação do que não podemos mudar, no momento, pode atenuar a frustração e talvez um redireccionamento de objectivos. Para quem confia na vida é mais simples porque entende que a vida dá o que precisamos para crescer, e sabe que quando algo não flui…há que repensar os esforços e direccionar o sentido do fluxo da vida para outro lado que faça a pessoa sentir-se valorizada e importante.
  • Escapismo – Como resultado de uma enorme turbulência interna, há um tremendo desejo de escapar ou criar compensações ou “realidades” fictícias paralelas que ilusoriamente parecem atenuar o vazio emocional. Este escapismo pode-se manifestar de variadas formas, como comer demais, beber, consumo de estupefacientes, sexo, farras, etc.
  • Auto-anulação ou ódio por si mesma – Uma pessoa que se anula a si mesmo, geralmente não acredita que merece algo de bom na vida e reprime muita dor. As pessoas que se anulam, provavelmente tiveram uma infância em que se sentiram desvalorizadas e não merecedoras de amor, atenção e reconhecimento. A cura interior e cura emocional passa pela libertação de toda essa dor e iniciar um processo de auto-reconhecimento e auto-aceitação de quem é, libertar a auto-punição e aprender a aceitar receber as coisas boas que a vida tem para lhe dar.
  • Vingança – O ódio e a raiva assimilada ao longo dos anos é resultante da falta de capacidade de perdoar, alguém que tem uma ferida emocional aberta tem grande facilidade em retaliar de volta os comportamentos negativos para aqueles que os ofendem ou “espezinham” emocionalmente.
  • Comportamento irresponsável – A dor e o vazio interior levam as pessoas a ter comportamentos compulsivos de compensação. Estas descompensações emocionais podem levar a uma abordagem descuidada perante si mesma e perante a vida. Dificilmente uma pessoa vazia interiormente se sente bem consigo mesmo, as feridas e dores emocionais precisam ser “ilusóriamente” compensadas, seja com a alimentação, seja com o consumismo, ou outro comportamento compulsivo de “pseudo” compensação.
  • Expectativas irracionais sobre os outros – Alguém que foi profundamente magoado, pode criar grandes expectativas nas pessoas que as rodeiam. E muitas vezes, acontece, decepcionarem-se ou então criar uma enorme intolerância quando erros forem cometidos. Tem uma extrema dificuldade de  tolerar (aturar) os outros, criando um enorme mal estar nos seus relacionamentos e em todo o mundo que a rodeia.
  • Perfeccionismo – As feridas emocionais também podes impulsionar uma necessidade extrema de executar tarefas com perfeição excessiva, para assim não dar hipótese aos outros que a possam criticar. Este perfeccionismo excessivo, acaba por ser um enorme peso que carrega, visto que não se permite errar. Estas pessoas, provavelmente viveram uma infância difícil, em que tudo o que faziam nunca estava bem ou nunca era suficientemente bom. Normalmente as pessoas perfeccionismo acabam por também ser demasiado exigentes e criticas com os outros, não aceitando os seus erros como uma forma de aprendizagem, mas sim como se fossem resultado de uma burrice irremediável.
  • Sentimentos de desespero – Quando uma pessoa se sente emocionalmente ameaçada, rejeitada, posta em causa, desvalorizada, e não consegue solucionar prontamente o desafio ou corresponder às expectativas do que acha ser “o certo” pode entrar facilmente em desespero. Nestas situações, se a pessoa não consegue ver soluções, ou alternativas e agir…é importante que aprenda a confiar na vida, relaxar um pouco e pedir ao universo que lhe envie as respostas. Por vezes a rendição ao que não controlamos pode ser uma solução sábia, visto que nos tornamos mais calmos e mais facilmente estamos abertos a que soluções inteligentes possam surgir na nossa mente, ou simplesmente estarmos abertos a que soluções surjam do exterior.
  • Impulsividade – Ser impulsivo pode resultar de um desequilíbrio emocional, a necessidade de agir de uma forma instintiva pode resultar de sentimentos profundos de ameaça, que despoleta sentimentos, muitas vezes irracionais incontroláveis.
  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo, ou TOC: é minha convicção que o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), muitas vezes envolve feridas emocionais que nunca foram totalmente curadas. Isto é especialmente verdadeiro com as pessoas que são escravas do auto-ódio, o ressentimento pessoal, auto-perdão, etc
  • Hostilidade para com Deus, consigo mesmo, e outros –  por causa do limite de emoções, uma pessoa pode tendem a sentir-se hostil a Deus, outras pessoas em sua vida, ou até a si mesmo. Isso geralmente é enraizada em uma forma de amargura contra Deus por não impedir que algo aconteça à pessoa, rancor contra alguém que tenha ofendido ou prejudicado emocionalmente, ou amargura contra si mesmo para falhas que tenha caído em si mesmo.

Seja honesto consigo mesmo e inicie uma auto-cura interior.

Para que seja necessário libertar todas estas feridas emocionais e permitir-se a uma cura interior é necessário que haja uma  libertação da resistência à mudança. É necessário entender e aceitar que nós não escolhemos o que nos aconteceu no passado, no entanto podemos escolher fazer uma cura interior e uma cura emocional, permitindo-nos mudar a nossa forma de ser, estar, pensar e ser felizes.

A cura interior e libertação emocional passa por uma abertura à compreensão de que tudo o que nos acontece, qual o sentido da vida e que tudo pode ser um agente de sabedoria e serve para o nosso crescimento interior.

 

Atenção: A publicação destas informações não constitui prática de medicina e as mesmas não substituem o conselho do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde. Este texto é meramente informativo e não constitui nem dispensa a consulta ou apoio de profissionais especializados.

 

© Texto original de  Cristina Jorge (outros sites de Cristina Jorge de mapaastral.org )

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