A diferença entre o “Sábio” e o “coitadinho”…

É verdade que um estado de maior negatividade, ou um estado mais depressivo é, para muitas pessoas, um estado de dor, desespero e com pouca perspetiva de resolução objetiva….no entanto uma pessoa, para conseguir sair de um estado sombrio, necessita de tomar uma decisão interna muito profunda de querer alcançar algo que a transcenda. Render-se a algo que está para além das suas crenças, e confiar e entregar o controlo da sua vida a uma energia suprema.

Quando a vida pede que olhemos para dentro e fazer cura do Auto-valor, e a morte de crenças auto sabotadoras

Observa-se muito que, pessoas em estados depressivos, procuram fora de si soluções e pessoas que as curem. Esta é uma posição que demonstra que a maioria de nós, passa a vida a dar poder sobre si e sobre a sua vida ao mundo externo. Esta desresponsabilização sobre nós e sobre o que nos acontece, atribui aos outros e às circunstâncias as redeas da nossa vida e do nosso equilíbrio. Esta forma de agir e estar na vida cria em nós, uma certa dissociação e ausência de nós mesmos, como protagonistas da nossa própria história, da nossa vida, e consequêntemente desacreditamos da possibilidade de estar em nós a nossa própria fonte de cura.

A depressão, de uma forma geral, é um estado em que a pessoa se sente como se fosse catapultada por determinados gatilhos externos, para estados internos de falta de controlo emocional sobre si, e falta de controlo sobre os acontecimentos externos, atraindo assim uma sucessiva avalanche de aontecimentos que farão a pessoa desacreditar de uma saída, deixando de ver a luz ao fundo do túnel.

De certa forma, esses acontecimentos externos, puseram em causa as crenças internas da pessoa, sobre o seu senso de valor, sobre as suas capacidades de se comandar e de comandar a sua própria vida, perdendo toda a fé em si, nas pessoas que rodeiam e na própria vida. Que na realidade, tudo apenas reflete a realidade interna, que precisa ser destruida para ser reconstruida de forma a que torne uma realidade que não dependa do “fora” para estar em equilíbrio “Dentro” .

A buscar de reconhecimento fora, dá o poder ao mundo externo sobre o nosso  verdadeiro valor

A buscar de reconhecimento fora, dá o poder ao mundo externo sobre o nosso  verdadeiro valor e sobre o noss equílibrio interno, que embora possa ter um auxilio externo, só nós é que conseguimos fazer o processo de aceitar fazer um processo de re-conhecimento interno sobre quem verdadeiramente somos e que o nosso valor é infinitamente incalculável. No entanto, para que isso aconteça, a pessoa precisa decidir “Dizer SIM à VIDA e a si mesma”

Uma infância vazia de apóios emocionais e de valores autênticos, pode estar na base de um ser que suporta a sua estrutura interna em alicerces externos que estão fora do seu controle. Esta falsa estrutura e falsos alicerces, mais cedo ou mais tarde serão abalados por condicionantes externas, para obrigar a pessoa a reconstruir-se por dentro, criando uma visão direta de si mesma e sobre si mesma que não passará por quaisquer filtros externos.

Sempre que a vida no seu exterior não valida as suas expetativas de valorização, a pessoa tende a achar que não presta

Se assim não for, sempre que a vida no seu exterior não valida as suas expetativas de valorização, a pessoa tende a achar que não presta, que não tem valor, e até mesmo que não é especial, e assim considerar-se uma coitadinha, uma vítima, este será um rótulo que a pessoa coloca sobre si mesma devido à sua falta noção do que é verdadeiramente o valor próprio.

E como a pessoa atribui o seu poder pessoal, ao reconheceimento externo, se não considera que esse valor está a ser refletido de fora como as expetativas criadas, nasce um sentimento de que o mundo conspira contra si, como se nada  mais de bom ou positivo possa acontecer na sua vida.

A pessoa ainda não percebeu que a dor, é um grito de alerta subconsciente, e é um aliado ao crescimento e quais são os padrões internos que tem de ser resolvidos que despoltam o sofrimento.

“Síndrome do coitadinho.”

Quando era mais jovem, sofri também, de depressão e do “síndrome da coitadinha”, embora não se deva generalizar, na minha situação o estado de vitimização, era sem dúvida resultado da cegueira sobre a necessidade de responsabilização pelo crescimento interno e pela responsabilização pela própria vidave por tudo o que acontece. É verdade que não somos educados para a consciência de nós como um todo, mas tudo é um processo, e as depressões são uma das deenas de vias que a vida tem para nos alertar que algo na nossa vida tem de ser questionado. A vida obriga à força a entender  que o sentido de tudo está muito para além de, mendigar ao mundo afeto, amor, compreensão, e um senso de valor que nó próprios não reconhecemos nós.

A pessoa depressiva, de uma forma geral, é uma pessoa que acha que o mundo não presta, todos estão contra si, que Deus é injusto, e que todo o mundo se virou contra a própria pessoa. No entanto, estes sentimentos obscuros, de todo vão mostrar o caminho para a libertação. O fosso será percorrido e cada vez mais fundo, na medida em que a pessoa continue a rejeitar render-se à sua própria mudança, gritando ao universo e às espefaras superiores essa rendição e perda de controlo, e a permissão para essas energias supremas e esferas de Luz possa tomar o comando da vida da pessoa e a conduzir à sua verdadeira essencia.

A perda do controlo sobre a vida e sobre o nosso Ser é o aviso supremo que algo tem de ser transcendido

É perciso tomar consciência que há uma rendição profunda, e um auto-resgate a fazer, e perceber que o que nos acontece fora reflete o nosso mundo interior. E perceber que uma depressão é uma sensação de afundamento que iniciou por alguns acontecimentos específicos, que tinham como objetivo que a pessoa se questionasse pelos próprios padrões e vivências, e a sensação de afundamento contínua, vem da negação que a pessoa faz em tomar consciência que algo nela não está bem.

O envolvimento com a negatividade, ao tornar-se o foco da pessoa, porque enquanto não se rende e não se entrega, a pessoa é cada vez mais invadida pela sombra, e apenas consegue manter o foco na negatividade de tudo o que a rodeia.

Enquanto se vive no sindrome do coitadinho, aquele que todos tem pena e dão palmadinhas nas costas e dizem “coitadinho sofres tanto, estás com depressão, coitadinho…”…inconscientemente era isso alimenta a necessidade “egoica” do vazio interno. Normalmente a pessoa só decide fazer algo por si, quando já percebeu que as pessoas à sua volta já não aguentam ser mais contagiadas com a sua negatividade e que, quando se deparam com o vazio de já terem afastado todo o mundo, possivelmente tem duas escolhas a fazer..ou aceitam o seu vazio para sempre ou aceitam preencher elas próprias o seu próprio vazio com algo supremo.

Ser o coitadinho e estar entregue à negatividade, significa que o investimento  do poder, da força e energético está direcionado e focado na auto-destruição. Essa mesma força, poder e energia precisa ser investida no sentido ascendente e para o reconhecimento da essencia Divina (já existente na pessoa) mas que a pessoa acredita que esse reconhecimento tem de vir do exterior.

Muitas vezes o inconsciente foca-se na vitimização, no drama, nodesgraçadinho como uma forma demendigar alguma atenção, carinho, e aconchego, pela pior das vias…mas claro que não resulta, todos sabemos uma pessoa negativa contamina a energia dos outros e é difícil alguém alimentar este abismo emocional.

No fundo o que se precisa é, realmente de AMOR PURO,  essa é sem dúvida a única saída do vazio infinito e insaciavel, no entanto esse amor terá de ser um amor próprio, assim como uma ligação interna à fonte de AMOR DIVINO.

Que tipo de pessoa queremos tatuar na memória dos outros?

Um dia dei por mim a contar a pessoas que haverá conhecido, todos os meus dramas, desgraças, dores….e no momento um pensamento assaltou-me a mente “…que estás tu a fazer????? Estás agora a conhecer esta pessoa e estas a dar a imagem de ti como se tudo fosse mau e negativo….como se nada de bom existisse…como é que queres que alguém queira estar ao pé de ti se o que tens para dar é só má onda, baixa energia…já basta os dramas que cada pessoa tem quanto mais estares aqui “a viver no agora, o sofrimento de algo que já nem sequer existe, é passado…estás a contaminar o momento do “agora” com coisas negativas e podias estar a estabelecer, com essa nova pessoa, uma amizade que alimentasse coisas positivas, boas, para que ambos se sentissem bem”. Para que seja possível dar inicio à mudança é necessário começar por esvaziar o recipiente interno.

A nossa inspiração interior.

Tive nesse momento, como se fosse uma inspiração, que não me curou mas foi o início de um maravilhoso despertar e perceber porque nos sentimos afundar, um percurso de auto-conhecimento e auto-consciencialização que me tornou mais atenta e observadora de mim mesma. Comecei também a estudar o comportamentos das pessoas, comparando as que me faziam sentir bem e as que me faziam sentir mal, a perceber o que cada uma tinha e tentar perceber o que há em nos que cria bem estar a nos e aos outros e assim desenvolver com pessoas de bebé essas características. Todo este processo foi como uma bola de neve, em que o segredo era a observação neutra (sem avaliações, julgamentos, apenas perceber) quer dos comportamentos, quer das reacções (minhas e dos outros). A pouco e pouco fui entendendo que por mais dramas que eu tivesse na vida, já bastava o momento em que os vivi…porque vive-los de novo a cada instante e porque passar toda essa negatividade para os outros??? Percebi que nada nem ninguém me podia mudar a minha dor, só eu mesma…fosse de que maneira fosse, mesmo se tivesse ajuda de alguém, um terapeuta, leitura, cursos de PNL (programação neuro-linguística) ou workshops de inteligência emocional, o trabalho era todo meu. E decidi que os amigos podem ser para falar de coisas que passaram mas não temos que lhes passar toda a negatividade que temos dentro porque isso faria que em vez de um deprimido ficavam dois. Por isso dizemos às vezes que quando precisamos, os amigos não estão lá…a realidade é que a maioria das pessoas não tem estrutura interior para lidar com a dor dos outros, hoje em dia eu percebo isso claramente e não condeno.

Os amigos não são lixeiras emocionais.

É compreensível que muitos de nós sintam a necessidade de descarregar tudo em cima dos amigos, no entanto usar os amigos como uma lixeira emocional é uma atitude de quem não acredita que haja outra forma de aliviar a sua dor, no entanto tenham atenção porque os amigos são muito mais do que contentores das nossas “lixeiras emocionais”. Claro que os amigos podem ser elementos fundamentais no nosso crescimento e na nossa compreensão superior da vida mas isso não significa que tenhamos de massacrar os outros com as nossas negatividades. É fundamental cada pessoa saber libertar-se da negatividade e a resolver as suas próprias questões e responsabilizar-se pela sua própria cura interior. Para descarregar existem os psicólogos e terapeutas adequados para o efeito. Os amigos são para conversar sobre o crescimento interior que se conseguiu ter com os dramas, uma partilha que ajuda o outro a compreender melhor como superar situações difíceis, mas jamais devemos tornar os amigos  em muros de lamentações.

O egoísmo mata a amizade.

O Ser humano é, por por falta de auto-estima, pouco egoísta, o seu foco e desejo é essencialmente que os outros escutem, que entendam, que estejam la, que valorizem, que ajam de acordo com as suas regras, as suas crenças, e pouco nos preocupamos em entender o “outro”. Na realidade é algo inerente a todos nós, temos de ir aprendendo à medida que nos tornamos seres mais conscientes. Dizemos sempre que o mal está “nas  outras pessoas” nunca em nós próprios, e como todos dizem que o mal está “nas pessoas”, afinal o mal está onde??? A tendência é perder demasiado tempo a ver o que o outro tem e faz de mal, o tempo que se perde a observar e criticar os outros seria muito mais útil se observassemos as nossas reações, essas sim falam dos nossos traumas e dos nossos dramas internos.

O que, normalmente, denominamos de “problemas” pode tornar-se num poderoso potencial.

Voltando às questões da depressão…o coitadinho é aquele que a sua atenção está apenas focada no que não interessa, no miudinho, no defeito, no mal, na desgraça, na dor. O sábio é aquele que utiliza todos os acontecimentos como trampolim de aprendizagem para fazer grandes realizações e para marcar o mundo pela positiva. Por exemplo, os grandes centros de recuperação de toxicodependentes foram criados por ex-toxicodependentes, que antes se sentiam e eram vistos como o lixo da sociedade e agora são seres poderosíssimos, com uma força interior e sabedoria de vida que muitos de nós não temos. Pessoas que tiveram filhos que morreram com doenças graves, em vez de ficarem a ralhar com todos os “Deuses” e mais alguns usaram a sua dor como uma experiência positiva e assim criaram associações para ajudar outros pais a superar a dor na sua vivencia em situações semelhantes. Mulheres vitimas de violência domestica criaram refúgios para outras mulheres na mesma situação. Mães solteiras que não foram apoiadas criam centros de mães solteiras e assim por diante…esta é a diferença entre os coitadinhos e os sábios e cabe a cada um usar a sua dor da forma que achar melhor para si…e se decidir continuar a ser o coitadinho, pois também está certo….é a sua escolha e todos temos de respeitar. Este é um processo trabalhoso que o ajuda a confiar em si e na vida e a acreditar que todos os desafios são fontes de poder e crescimento.

Texto e imagem originais de Cristina Jorge para o site www.tratamentodadepressao.org

“Reprodução permitida desde que citada autoria e fonte com hiperligação (link)”

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